A taxa de abandono no ensino médio brasileiro caiu para 2,2% em 2025, segundo o Censo Escolar do INEP. Em 2024 era 3,6%; em 2023, 3,7%; em 2015, 6,8%. São 4,6 pontos percentuais a menos em uma década — e o ensino médio era, historicamente, a etapa com a pior retenção da educação básica.

A reprovação seguiu o mesmo caminho: 3% em 2025, contra 11,5% em 2015. O Ministério da Educação calcula redução de 61% no abandono e 62% na reprovação na rede pública entre 2022 e 2025.

**O que pode explicar**

Duas políticas recentes aparecem com frequência na discussão. O Pé-de-Meia, criado em novembro de 2023, é uma poupança que paga ao estudante de baixa renda para permanecer e concluir o ensino médio — ataca diretamente o motivo mais comum de evasão, a necessidade de trabalhar. A ampliação da Escola em Tempo Integral atua por outro caminho, reduzindo a competição entre a escola e o turno de trabalho.

Nenhuma das duas explica sozinha uma queda dessa magnitude, e o intervalo entre a criação delas e os resultados é curto para conclusões definitivas.

**A pergunta que o número não responde**

Aqui está o ponto de atenção que pesquisadores da área levantam, e que merece mais espaço do que costuma ter.

Menos reprovação pode significar duas coisas muito diferentes. Pode ser que mais estudantes estejam aprendendo o suficiente para avançar — o resultado desejado. Ou pode ser que os critérios de aprovação tenham sido flexibilizados em algumas redes, empurrando adiante estudantes que não dominaram o conteúdo.

As duas hipóteses produzem exatamente a mesma estatística de fluxo. Só uma avaliação de aprendizagem — como o Saeb — consegue separá-las. Enquanto os indicadores de proficiência não acompanharem a curva de aprovação na mesma direção, a leitura correta é de cautela, não de comemoração.

Há um sinal de alerta adicional nos próprios dados: o ritmo de queda desacelerou no ensino médio público entre 2024 e 2025, com redução de 1,1 ponto percentual, menor que nos anos anteriores.

**O que fica**

Mesmo com todas as ressalvas, tirar o abandono de 6,8% para 2,2% é uma mudança real na vida de centenas de milhares de jovens. Um estudante que conclui o ensino médio tem outra trajetória de renda, de saúde e de participação — isso está bem documentado na literatura.

O Censo Escolar é declaratório: as escolas informam os dados, e o INEP consolida. Os resultados completos, por rede e por município, ficam disponíveis no portal do instituto, e valem mais que qualquer manchete construída sobre a média nacional.