A Amazônia Legal perdeu 5.796 km² de floresta no período medido em 2025 — o menor número dos últimos onze anos, segundo os dados do PRODES divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em 30 de outubro de 2025. A queda foi de 11,08% em relação ao ano anterior.
Para dar escala ao número: a área desmatada ainda equivale a quase quatro vezes a cidade de São Paulo. A notícia é boa pela direção, não pelo tamanho.
O Cerrado seguiu o mesmo caminho, com 7.235 km² suprimidos e redução de 11,49%. É um dado que costuma ficar à sombra da Amazônia, mas merece atenção: o Cerrado perdeu mais área que a floresta amazônica, e é ali que nascem as bacias que abastecem boa parte do país.
**O mapa por dentro do número**
A média nacional esconde realidades opostas. Dos nove estados da Amazônia Legal, oito reduziram o desmatamento. Tocantins liderou com queda de 62,5%, seguido por Amapá (-48,15%) e Roraima (-37,39%).
A exceção foi Mato Grosso, que cresceu 25,06%. O estado é o principal produtor de grãos do país, e a expansão da fronteira agrícola ali segue pressionando a floresta enquanto o restante da região recua. Enquanto um único estado puxar na direção contrária com essa força, o resultado nacional continuará dependendo de quanto os outros oito conseguem compensar.
No Cerrado, o Maranhão registrou a maior supressão em área absoluta: 2.006 km², à frente de Tocantins (1.489 km²) e Piauí (1.350 km²). São três estados do chamado Matopiba, a última fronteira agrícola em expansão acelerada no país.
**Por que onze anos importam**
O PRODES mede o desmatamento por corte raso a partir de imagens de satélite, com uma metodologia estável desde 1988. É essa continuidade que permite comparar 2025 com qualquer ano anterior sem ressalvas — e é o que torna o marco dos onze anos significativo, e não apenas uma boa manchete.
A série histórica também ensina prudência. O Brasil já viveu ciclos de queda seguidos de reversão rápida quando a fiscalização afrouxou ou o preço das commodities subiu. Uma redução de dois dígitos por dois anos consecutivos é um sinal consistente; uma tendência estabelecida exige mais tempo.
**O que observar daqui para frente**
Três pontos merecem acompanhamento. O primeiro é Mato Grosso, que concentra hoje o principal foco de alta. O segundo é o Cerrado, que perde área em ritmo comparável ao da Amazônia com muito menos atenção pública e proteção legal mais frágil. O terceiro é a diferença entre desmatamento e degradação: uma floresta pode perder boa parte da biomassa por fogo e corte seletivo sem entrar na conta do corte raso.
Os dados completos, com séries por estado e por município, estão abertos no painel TerraBrasilis, mantido pelo próprio INPE.
MEIO AMBIENTE
Desmatamento na Amazônia cai ao menor nível em onze anos, mas Mato Grosso vai na contramão
Dados do PRODES mostram queda de 11% em 2025; um estado sozinho cresceu 25% e concentra o desafio dos próximos anos
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