O número de crianças brasileiras que não receberam nenhuma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche — as chamadas "dose zero" — caiu de 360 mil em 2023 para cerca de 50 mil em 2025. A queda é de aproximadamente 86% em um ano e de quase 90% na comparação com 2023, segundo relatório conjunto da Organização Mundial da Saúde e do Unicef divulgado em 14 de julho de 2026.

Entre 195 países avaliados, o Brasil registrou o segundo maior crescimento de cobertura da primeira dose da vacina DTP entre 2019 e 2025: 19 pontos percentuais, atrás apenas da Líbia.

**Por que a "dose zero" é o indicador que importa**

Criança sem nenhuma dose não é o mesmo que criança com esquema incompleto. É o grupo mais vulnerável e o mais difícil de alcançar — geralmente concentrado em famílias distantes de serviços de saúde, em situação de migração, ou fora de qualquer cadastro.

É também o grupo que determina se uma doença consegue voltar a circular. A imunidade coletiva funciona por vizinhança: bolsões de crianças não vacinadas são onde um surto começa, mesmo em um país com boa cobertura média.

**O contexto continental**

Na comparação regional, o Brasil ficou à frente dos vizinhos em número absoluto de crianças sem nenhuma dose: México (218 mil), Venezuela (185 mil), Argentina (101 mil) e Bolívia (89 mil) mantiveram números maiores que os 50 mil brasileiros — e vários desses países têm população bem menor.

Globalmente, cerca de 116 milhões de crianças, equivalente a 90% dos bebês nascidos em 2025, receberam ao menos uma dose de DTP. Dessas, 110 milhões (85%) completaram o esquema de três doses.

**O que sustenta um resultado assim**

A recuperação brasileira se apoia numa estrutura que existe há décadas: o Programa Nacional de Imunizações, criado em 1973, com vacinas gratuitas em toda a rede pública e um calendário que cobre da maternidade à terceira idade. Campanhas de multivacinação e a busca ativa de crianças faltosas nas escolas fazem parte da estratégia recente.

**O que não muda**

Cobertura vacinal não é conquista permanente: ela precisa ser refeita a cada geração de crianças que nasce. Basta uma queda de alguns anos para que doenças controladas voltem a circular — foi o que aconteceu com o sarampo em vários países, incluindo o Brasil, na virada da década passada.

Para conferir se a caderneta do seu filho está em dia, o calendário oficial por idade está disponível no site do Ministério da Saúde, e a atualização pode ser feita em qualquer unidade básica de saúde, sem custo.