A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,4% no segundo trimestre de 2026, segundo a PNAD Contínua do IBGE. É uma queda de 0,7 ponto percentual sobre o trimestre anterior, quando estava em 6,1%, e de 0,4 ponto na comparação com o mesmo período de 2025.

O número, isolado, é o melhor em muitos anos. Mas ele responde a uma pergunta estreita: quantas pessoas procuraram trabalho e não encontraram. Diz pouco sobre a qualidade do trabalho de quem encontrou.

**A informalidade não acompanhou**

A taxa de informalidade ficou em 37,4% da população ocupada. Na prática, quase quatro em cada dez pessoas trabalhando no país estão sem carteira assinada, sem CNPJ ou por conta própria sem contribuição previdenciária — sem férias, décimo terceiro, seguro-desemprego ou contagem de tempo para a aposentadoria.

A média nacional esconde um país partido. Em Santa Catarina, a informalidade é de 25,4%. No Maranhão, chega a 56,9%. São 31 pontos percentuais entre os dois extremos, uma distância maior que a de muitos países entre si.

**Quanto se ganha**

O rendimento médio real de todos os trabalhos foi de R$ 3.738 no trimestre, praticamente estável em relação aos R$ 3.795 do período anterior e acima dos R$ 3.635 de um ano antes. A massa de rendimentos — a soma de tudo que a população ocupada recebeu — alcançou R$ 380,3 bilhões.

Vale lembrar que média não é o que a maioria ganha. Rendimentos muito altos puxam o valor para cima, e a mediana costuma ficar bem abaixo. O próprio IBGE publica ambos os indicadores.

**Quem está há muito tempo procurando**

Um dado que raramente aparece nas manchetes: 1,1 milhão de pessoas buscavam trabalho havia dois anos ou mais. Outros 1,1 milhão procuravam havia menos de um mês.

São dois grupos com problemas diferentes. O segundo faz parte da rotatividade normal de qualquer mercado de trabalho. O primeiro é desemprego de longa duração, que corrói qualificação, rede de contatos e a própria chance de ser chamado para uma entrevista. Política pública que serve a um raramente serve ao outro.

**Como ler esses números**

A PNAD Contínua ouve domicílios em todo o país e é a fonte oficial do mercado de trabalho brasileiro. Cada divulgação traz três recortes que valem mais que a manchete: a taxa de subutilização, que soma desempregados, subocupados e desalentados; a informalidade; e o rendimento por posição na ocupação.

Um desemprego baixo com informalidade alta descreve um mercado que absorve gente, mas oferece pouca proteção. É um retrato diferente — e mais preciso — do que "o desemprego caiu".